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Mais do que apenas um diário pessoal virtual, o blog é um espaço de divulgação, de comunicação e de interação. Desde que passou a ser visto como tal, está transformando os usos da internet, acentuando o seu caráter interativo. O mundo escolar não escapa ao novo fenômeno.
Para aproveitar as possibilidades comunicacionais que o blog oferece no âmbito da escola, assim como em relação a qualquer outra tecnologia, não existe receita pronta para a implantação. Depende de como a escola funciona e de seus objetivos. É o ponto de vista defendido por Nelson Pretto, professor de educação e tecnologias contemporâneas na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
“O blog é uma rede de comunicação que favorece profundamente a interação e a formação de cidadania. Mas não é um milagre que vai resolver o problema da educação. É mais um elemento que está disponível e que pode ser facilmente utilizado.” Para o estudioso, uma das principais virtudes dessa nova ferramenta é a de, ao melhorar o fluxo de comunicação no interior da escola, democratizar o acesso à informação.
Maria de Fátima Franco, professora de línguas, coordenadora de projetos de alfabetização na rede pública e consultora pedagógica, é uma assumida adepta dos blogs. Tanto que atua como moderadora de uma lista de discussão e tem um blog sobre internet na educação (http://internetnaeducacao.blogspot.com/). Mas faz questão de ressaltar que a ferramenta só se transformará numa iniciativa válida se o gestor se dispuser a estar conectado com freqüência e a efetivamente usá-la.
“Caso opte por usá-la para coordenar a escola internamente, é preciso que professores, alunos e pais estejam informados sobre a existência da ferramenta, que sejam incentivados a deixar comentários, sugestões e opiniões nesse espaço”, sugere. Maria de Fátima dá alguns exemplos de ações que o blog pode potencializar: reuniões administrativas, pedagógicas ou de pais podem ser feitas para debater ou apresentar propostas e seus comentários postados posteriormente, para ficarem acessíveis a todos.
Saber que tipo de informações o gestor pretende oferecer no blog é um dos primeiros passos para a sua criação. “Se for um blog totalmente administrativo, por exemplo, o público de leitores pode ficar restrito ao pessoal da escola. Se o objetivo for apresentar as ações pedagógicas da instituição, ou os projetos que o gestor vem desenvolvendo para melhorar o desempenho dos alunos, por exemplo, seu público leitor será muito maior, pois vai interessar a outros diretores e professores de outras escolas, que podem utilizar as informações em situações similares. E a partir disso, a rede de escolas começa se formar”, exemplifica Maria de Fátima.
Outra função importante do gestor é fazer um esforço de incentivo e estímulo ao grupo de professores, para que eles utilizem os blogs em sala de aula como ferramenta pedagógica, dando o exemplo e criando um, se isso estiver em sintonia com o projeto pedagógico da escola aprovado pelos próprios educadores.
O trabalho Reflexão entre professores – aspectos e possibilidades, de 2005, de autoria de Adriane Halmann, do grupo de pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias da Universidade Federal da Bahia, confirma mais esse papel do coordenador de escola. Um pouco do resultado desse trabalho, que resultou na dissertação de mestrado da pesquisadora, pode ser conferido no blog http://reflexaodeprofessores.blogspot.com.
Com sua pesquisa, Adriane percebeu que existem muitos outros motivos para um gestor criar um blog. Ela cita alguns: atualizar os professores por meio da divulgação de eventos da área; abrir espaço para refletir sobre questões políticas relacionadas à educação; valorizar e reconhecer o trabalho da equipe de professores e funcionários; promover o diálogo entre a escola e a comunidade; envolver docentes e alunos em objetivos comuns; fornecer visibilidade para os projetos e atividades desenvolvidas no ambiente escolar; demonstrar a transparência dos processos administrativos e prestar contas para a comunidade; trocar idéias sobre determinado assunto; dividir com a comunidade os problemas da escola, pedindo sugestões de solução; compartilhar boas práticas.
Blog ou lista?
A escolha da ferramenta depende de quanta informação se quer publicar e de como esta deverá ser organizada e oferecida à comunidade. Mesmo trabalhando com blogs, a professora multiplicadora do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia, Goreth Reis, acredita que o grupo ou lista de discussão é a ferramenta mais adequada para gerenciar escolas. É assim ao menos que o NTE trabalha para manter contato com a rede estadual. “Cada vez que uma pessoa envia um e-mail, todos os membros do grupo o recebem. Se tivéssemos de acessar o blog de cada escola para saber das novidades, gastaríamos muito tempo. Com a lista tudo fica mais fácil, pois, além de sabermos das notícias dos colégios, podemos trocar relatórios, divulgar novidades, mandar dúvidas e sugestões, fazer helpdesk etc.”
Nelson Pretto também utilizou uma lista de discussão entre 2000 e 2008, época em que foi diretor da Faculdade de Educação da UFBA. Em 2000, sua equipe criou um grupo no qual ele pôde divulgar e dividir diariamente todas as questões e desafios que envolviam a gerência da faculdade. Seu trabalho na direção deixou de se caracterizar por tomadas de decisão isoladas, sem que se compartilhassem as questões em pauta. “Servidores, professores e estudantes puderam opinar. Minha atuação foi engrandecida com a contribuição e o envolvimento de todos”, conta.
Para o professor/gestor, o coordenador tem de estar preparado para lidar com os problemas e críticas inerentes à tomada de decisão. Afinal, a partir do momento em que se oferece um canal para a participação de toda a comunidade escolar, é preciso estar preparado para ouvir o que não se quer. Isso faz parte da gestão democrática.
“A lista de discussão vale não apenas para o diretor divulgar o que faz, mas, também, para ouvir (ou melhor, ler) o que os outros pensam sobre o que ele está fazendo ou o que deveria fazer”, explica o mestre em Educação. É preciso que haja essa troca de informações. Por este motivo, assim que é criado, o endereço do blog ou da lista de discussão deve ser bem divulgado pelo diretor, para que todos possam participar. Nesse caso, é importante que a atualização de dados mantenha alguma freqüência, para estimular a participação dos visitantes.
| Vale a pena visitar: |
Guia de Blog Trocando Letras Internet e Web na Educação Portal do Professor Recursos da Internet para Educação |
| Apoio à informatização |
| Para trabalhar com blogs ou com qualquer outra tecnologia, é preciso ter estrutura e formação. Para justificar a assertiva, Nelson Pretto, da UFBA, recorre ao educador Anísio Teixeira, autor do artigo Mestres de amanhã, apresentado da Conferência do Conselho Internacional de Educação para o Ensino realizada no Rio de Janeiro, em 1963. “Com sua perspectiva visionária, ele dizia que a escola do futuro mais parecia uma estação de televisão do que qualquer outra coisa. Atualizando o pensamento de Anísio, eu diria que a escola de hoje – o amanhã de quase 50 anos atrás – tem de ter vários computadores, rede sem fio e acesso à banda larga, além das televisões e outros meios de comunicação. De tal forma que o professor tenha disponível, na escola, um espaço de aprendizagem.” Por meio da Secretaria de Educação a Distância (Seed), o Ministério da Educação dá sinais de que se preocupa com a demanda e está com diversos programas que objetivam informatizar e conectar as escolas públicas brasileiras, capacitar professores e fornecer objetos educacionais digitais. São os projetos Computador Portátil para o Professor, Banda Larga nas Escolas, Portal do Professor, Banco Internacional de Objetos Educacionais, Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) e Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado). Além do MEC, a Casa Civil, o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia também estão envolvidos nesses programas. Dados de junho de 2008 mostram que 2.380 escolas brasileiras estão conectadas e 2,2 milhões de alunos são beneficiados. Minas Gerais é o estado com mais escolas contempladas: 704. O Acre é o de menor índice, com apenas 12 informatizadas. A política de informatização das escolas brasileiras prevê a instalação de 25 mil laboratórios de informática, mais de 22 mil escolas com banda larga e capacitação de cerca de cem mil professores ainda este ano. O ministro da Educação, Fernando Haddad, promete que 37 milhões de estudantes – o que representa 95% de alunos da rede pública de escolas urbanas - e 56 mil escolas terão acesso à internet até 2010. |